A APAC de Tupaciguara/MG, fundada em maio de 2011, realizou – com o fundamental amparo da FBAC (Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados) o I Seminário para Preparação de Voluntários, nos dias 30 de setembro, 01 e 02 de outubro. O evento foi realizado no auditório do Centro Administrativo do município e contou com o apoio e participação de diversos representantes dos poderes constituídos, de lideranças religiosas e comunidade local.

A abertura do seminário, realizada na noite da sexta-feira, foi dotada de especial valor simbólico, em razão de uma falta de energia elétrica. Mesmo no escuro material, mais de 70 pessoas estiveram reunidas numa solenidade que se tornou congraçamento, marcado pela nobreza dos propósitos e pela fraternidade que envolveu todos os presentes, colocando a Juíza da Comarca, Dra. Elisa Marco Antônio, os representantes da FBAC e instrutores, Wellington Silva e Flávio Vilela, o Delegado de Polícia, Dr. Armando Papacídero Filho, a presidente da APAC de Tupaciguara, Rita de Cássia Cad, o Presidente do CONSEP, Conselho de Segurança Pública, Cícero Costa, e a Presidenta da Câmara de Vereadores, Jussélia Santana Costa, e, os já recuperandos, ainda do regime fechado do sistema prisional tradicional de Tupaciguara, num diálogo emocionante sobre a situação do preso e a proposta do método APAC.

Aquele escuro, revestido de providencial ensinamento, materializou significativas lições para os que a partir dali tiveram olhos e ouvidos para ver e ouvir. A ausência da luz física disse da necessidade de cada homem, de acender dentro de si a luz da misericórdia nas trevas íntimas do preconceito. Disse também, da necessidade de criar, pela luz do perdão e do amor, associados à disciplina e à perseverança, oportunidades de refazimento para os irmãos encarcerados nas sombras do crime. E disse, ainda, da necessidade de acender a luz do exemplo, no trabalho cristão de reerguimento dos caídos e de resgate dos homens, irmãos nossos e tão filhos de Deus e dignos de sua misericórdia quanto nós próprios, que subjazem nas perversas malhas da criminalidade e da desumanidade. Exemplo esse que há de tocar cada vez mais a sociedade que vive no triste breu da indiferença.

O seminário continuou num ambiente de profundas reflexões e muito aprendizado a respeito dos doze elementos que compõe o Método APAC e de particularidades sobre o tema que muito inquietaram os seminaristas e conscientizaram os futuros voluntários da APAC de Tupaciguara.

É por acreditar que o homem pode e vai sobreviver ao criminoso, é pela ciência de que somos todos criminosos diante das Leis Divinas, que nos vemos hoje: recuperandos a ajudar recuperandos, aprendizes das práticas concernentes à Soberana Lei de Amor, nas quais nos cabe, primeiro, acender a luz no próprio coração.

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